Agosto de 2011:

Frāncio


Com o número atômico 87 (cada átomo contém 87 prótons), o frâncio pertence à família dos metais alcalinos (o grupo 1) da Tabela Periódica. É representado pelo símbolo Fr. Foi descoberto por Marguerite Perey (1909-1975), enquanto trabalhava no Instituto Curie, em Paris. Encontrou evidências de sua existência em 1939, ao estudar o actínio. O nome é uma homenagem ao país em que foi descoberto.
 
O frâncio é muito radioativo. É o mais instável dos 100 primeiros elementos químicos. Por causa disto, é extremamente raro.
 
Os átomos radioativos possuem uma propriedade curiosa, sua estrutura nuclear se modifica com o tempo. Quando o número de prótons varia, ocorre uma transmutação, produzem outros tipos de átomos. O urânio, por exemplo, pode se transformar em frâncio. Este, por sua vez, também sofre decaimento radioativo gerando outros elementos. No caso do frâncio, isso ocorre rapidamente. O Fr-223 é o isótopo mais estável. Tem a meia vida de 22 minutos. Isso significa que uma amostra de um grama se reduz a meio grama em 22 minutos. Mais 22 minutos serão 2,5 g, e assim por diante, até não restar mais nenhum átomo. Estima-se que agora só existam algumas dezenas de gramas do metal (em geral em minerais de urânio) em toda a superfície da Terra.
 
Por ser muito instável, nunca foram isoladas quantidades visíveis de substâncias contendo o elemento. Isso dificulta muito o estudo de suas propriedades. Sabe-se que o íon Fr+ (átomos de frâncio com um elétron a menos) é a forma mais estável em compostos químicos. A estabilidade como íon monopositivo coincide com o observado para os demais metais alcalinos. Também é possível estimar seu ponto de fusão (27 oC), menor que o do césio, o elemento imediatamente superior na Tabela Periódica, conforme a tendência observada para os metais do grupo 1. Mas, graças à lei periódica, muitas outras propriedades podem ser deduzidas. Por exemplo, o metal provavelmente reagiria violentamente com a água formando o hidróxido correspondente (FrOH) e liberando hidrogênio.
 
Trata-se de um elemento raro, de pouco utilidade no dia a dia, mas de muita utilidade nos laboratórios de química e física nuclear. Estudá-lo ajuda a entender melhor o funcionamento dos átomos. Pena que não existam ainda isótopos estáveis. Um dia, quem sabe, os cientistas conseguirão obtê-los. E então veremos se, de acordo com as previsões, ele explode mesmo em contato com a água.

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